Dezembro 21, 2009 por endtitles

Eu confesso que tenho medo. Medo de enlouquecer em meio a todo esse marasmo, essa infinidade de coisas e fatos e andares, todos esses andares me chamando pro infinito. Eu só queria poder tomar conta disso tudo por alguns instantes, antes de desaparecer completamente. Era só poder te contar da lua, das estrelas, desse décimo-oitavo andar da zona sul. Era só uma brecha pra te dizer que andei pensando em tanta coisa, em você e em todas as outras coisas que estão ao meu redor. Aquelas que apareceram depois de você e antes de você, por causa de você. Confesso que não tenho medo de ter essa vontade de contar tudo isso, pra você. É tudo interessante demais, é tanta loucura, você deve ter uma pequena noção. é interessante e desinteressante ao mesmo tempo. Eu queria sentar numa cadeira e ter todo o tempo do mundo para me entregar às palavras que me rodeiam. Como aquelas pessoas que parecem desesperadas, moribundas, passando fome por se alimentar apenas do movimento incansável de percorrer os olhos pelo parágrafo acima com a imagem perfeita dos parágrafos de baixo. futuro, passado, presente. E de ter um pedaço de qualquer coisa para comer e uma taça de vinho no lugar do espaço que outrora comportava uma caneca de achocolatado. E de inventar palavras. Eu inventei uma ontem. É o molo. Hahaha. Sabe o que é um molo? pois eu te explico… sabe aquelas lanchas que deslizam no mar lá pelo meio, depois das ondas quebrando, das ondas se formando, das ondas andando? sabe aquele rastro de espuma branca, branquinha? Aquelas espumas me revelaram ser um punhado de palavras aguardando para serem colhidas. Mas não me abalei, decobri o movimento do vento trazendo todas elas ao meu alcance. Basta sentir o vento no rosto e fechar os olhos. Elas te pertencem a partir do momento que você as aceita ali naquele monte de água espumada. E, incrivelmente, elas se alojam ao seu redor, nas suas mãos, na sua caneta, gruda no papel, invade a sua mente. Acho que é por isso que eu tenho tanto medo. Eu só posso contar isso pra você se eu não te contar, entende? Só posso te contar se eu não estiver mais aqui, porque senão você não vai mais me dar ouvidos. Vai achar que eu vivo num mundo de fantasias, porque você é meu mundo de fantasias. Você mais do que ninguém sabe disso. E tem todas as outras coisas, tantos pormenores, teria receio de dizê-los assim sem mais nem menos. Eu te conto porque eu vi a lua e ela estava muito bonita. E aquela varanda, e aqueles andares, o vento, as estrelas, o telefone ali pertinho. Só falta a coragem, sempre falta a coragem de dizer que meu mundo de fantasias me esgota, me cansa. Cansa ter que controlar as ânsias quando se pensa tão racionalmente. Fantasias seriam como as palavras dos escritores… elas alimentam tão pouco e tão muito. Mas elas somem ao mínimo toque. Saciam a mente e abandonam o corpo. Pobre o corpo dos escritores. Pobre o corpo dos que fantasiam para não enlouquecer, mesmo sabendo que correm o risco de não ter mais volta. O passado apagado como escritos na areia. Como as espumas do molo. Como a lua e suas fases. Eu tenho medo e não tenho. Talvez seja apenas uma suposição. Talvez eu nem queira achar uma solução.

Dezembro 19, 2009 por julianaschultz

No aconchego das particularidades, nada além da solidão me guia a extrema sabedoria do que é viver.

Me achego junto aos princípios e pesadelos ao encontrar a verdade absoluta do que é passageiro.

Pode ser dilacerado ou um tanto discreto, em mim tudo é exclusivamente um absurdo quando flutua e evapora nas sólidas conclusões do que faz bem.

Enfim

Dezembro 19, 2009 por endtitles

Quando eu digo que te amo está claro e óbvio o que eu quero te dizer. Está certo de que eu acho o amor uma coisa rara e que você foi o escolhido. e que meus dias passam em branco enquanto não ouço a sua voz. que a vida pode parecer clichê e o amor mais ainda, mas não é (apesar de parecer muito). E que meus dias ao seu lado são suficientemente preenchidos de cor. mesmo que o edredon seja branco e o céu esteja escuro. e que meus pensamentos sempre apontam para ti independentemente do lugar em que eu esteja, e as conversas sempre apontam o seu nome, e as lembranças sempre lembram do seu rosto e dos seus gestos. E isso quer apenas dizer que eu não posso usar o seu nome em vão, assim como as pessoas costumam endeusar umas às outras. que meu coração bate mais forte quando te xingo e ainda mais do que mais quando penso que posso te perder. te ver é um alívio. te saber em todos os mínimos passos me dá segurança e termos algo programado me faz a pessoa ocupada mais feliz do mundo. Os passos contados em seu nome. As estrelas vistas em sua homenagem. Minhas cicatrizes esperando para serem contadas a ti. Meu sucesso, minha derrota, meus olhares, meu sorriso. É tudo seu ou para você. é tudo dito sem precisar pensar, porque já foi sentido. é sentido de vida para frente evitando a partir de agora o para trás. Todas as mensagens a serem dadas e todas as palavras, inclusive os telefonemas, são endereçadas especialmente para que você escute. E todo o mal-humor, e todas as reclamações, e os abaixo-assinado e todo os tempos difíceis vão ser todos seus. Até eles. Porque o amor preenche todos os estados de uma vida inteira. Por ser um sentimento forte, sente todos os outros nas costas como a cruz que cada um carrega para si mesmo. Cruz pesada que pode te trazer dor, mas a compensação de se ter uma vale muito mais do que o dobro. Vale todos os dias de felicidade. rirei pelo mundo enquanto estiver ao seu lado. cantarei nossas músicas e escreverei nossas vitórias. porque o amor é isso, felicidade com espírito de vencedor. nosso encontro trará todos os nossos outros dias. E isso é certo. e é real. e é verdade. tão certo como a afirmação de que um guarda-roupas serve para guardar roupas. é por isso que eu digo que te amo. e nada mais.

 

09.08.09

até quando?

 

Quantas?

Novembro 30, 2009 por Marcella

Venço antigas batalhas e invento novas. Destravar um erro e criar outro é insensato demais para o meu próprio ego. Mas quem disse que eu cansei? Os dias passam. A navalha na carne permanece rasgando lentamente uma ferida que parece nunca cicatrizar.

Quando levantar da cama e sentir aquele amargo na garganta, simplesmente ignorar. O que mais há de se fazer afinal? Lavar o rosto, escovar os dentes, abrir a porta, olhar desconhecidos na multidão e sentir uma vontade imensurável de gritar “Aqui dói, dói muito, todos os dias.” Ver os olhos de cada uma delas e julgar suas vidas em um simples impulso egoísta e mesquinho.

É puro drama, coisa baixa, lamentar-se tanto, sair aos sábados e abraçar o máximo de copos e corpos possíveis em uma noite, ir às compras e gastar o salário que você demorou um mês pra conseguir em um dia. Veja bem, eu também sou baixa. Quantas vezes você já nasceu nas madrugas de São Paulo? Quantas vezes você já morreu um pouco em cada uma delas? Algo dentro de mim guia minhas pernas dez anos mais velhas. Buracos negros cravados debaixo dos olhos. É tudo causa e conseqüência. Meus sonhos ainda são dominados por inúmeros rostos que eu gostaria de esquecer, erros que eu preferiria não ter cometido e almas que eu gostaria de ter encontrado enquanto ainda era tempo.

Mas ainda dá tempo. Não deixar a mente atrofiar em meio a tantos pensamentos, não se arrepender pelo que foi e acreditar no que virá. Alguma coisa há de vir, no começo, no meio, ou no final de cada dia. Por mais imperceptível e banal que seja, sempre vem.

Meu pé de meia

Novembro 22, 2009 por Pirla

Não interessa saber quantos milhões, bilhões de pessoas existem lá fora se aqui dentro tudo acaba por ser solitário demais o tempo todo.

De que adianta todos os outros quando ninguém faz a diferença, quando o silêncio é a única presença?

Não quero mais a constância das chuvas desnecessárias e dos sóis escaldantes. Eu quero o sossego da rede sob a sombra da árvore, ao som do vento e na presença do cheiro teu.

Fragmentos

Novembro 20, 2009 por endtitles

Play it :}

O trajeto repleto de curvas me leva a lugar nenhum de nenhum lugar. O sossego que reina nas ruas surpreendidas por toques de neon, faíscas, detalhes luminosos, fadiga. Há quem diga queémentira. Há os que simplesmente não reparam. Meu enjôo, teu semblante sobre o meu, nossas loucuras. Passa um vídeo assim sem passar. Corre e me abraça no bar. Opta pela esquina da próxima semana. Há quem diga que o fluxo contrário segue muito mais rápido do que a minha passagem. Há os que acreditam em pontos de encontro de passagens, independentemente da dita velocidade. Percebe teus dias, eles passam incansavelmente e eu fico pra trás. Eu fico ali parada na porcaria de uma esquina esperando você passar, fico na mente, em todos os momentos, em qualquer das esquinas, no meio da rua, entre uma curva e outra, como parasita, como esquecimento que não se deixa esquecer, como memórias que não se deixam vencer. Como apagões em dias comuns. E guia teu rumo que não é o meu. É o teu junto a mim. É o meu sem-sentir. Embala teu nexo, esquece que tem o processo, começo meio e fim, esquece que as pessoas morrem nessas esquinas, esquece que a sua conta está negativa, deixa fluir, me envolve também. Acredita que confiar também é humano e, querendo ou não, todo mundo sempre passa de ano. Levita mansidão, engole o possível entendimento, sorri tua angústia, preserva a sua natureza, que é sua e de ninguém mais. Avista um destino, abraça o destino, respira o destino e não para, continua.

Eu te encontrei sem querer encontrar, nem sei se achei mesmo do jeito que eu queria que fosse. Nunca é, não é mesmo? Aí você se depara com uma imensidão dentro de outra imensidão, que se resume a devaneios totalmente reais, materiais, objeto de mim. O teu silêncio me mata, suas palavras me consomem. Mas não tem mais o silêncio, acho que a gente fala bastante, na verdade, acho que seu silêncio não me incomoda, por isso não há a necessidade de se medir o quanto se fala. Acho que é caminhar por caminhos tortuosos com olhar fixo. É rir de qualquer besteira e achar graça dessa risada, comprar cerveja gelada e ouvir música boa. Acho que é pensar em tudo isso enquanto ninguém se importa ou sequer imagina que se está pensando. E me sentir acuada por esse trajeto. E me dizer acuada pelo seu afeto. E entregar as chaves do pacote completo. E resumir todo dia as percepções do dia anterior.

Na verdade: É tudo paranóia, inconstância, loucura, perseguição, exigências isométricas, concêntricas e excêntricas, mentalidade pagã, vida de cortiço e estúpidas válvulas de escape. Unidade multicolorida que não se deixa misturar, misturando vira tudo o que se vê por aí. E fica assim: Está tudo espalhado como deveria ser. O clímax da história está nos olhos de quem vê e a inspiração não nos torna mentirosos, talvez medíocres demais sem.encontrar.qualquer.razão.

Apenas

Novembro 19, 2009 por Marcella

Você que passou o tempo contra o espaço distante intenso sussurrando pelos ouvidos afora as gracinhas malditas vagas e luxuosas esperando o grito alarmante da vida espreitando sua alma esquecida esfarrapada distante acorda agora menina que não usa mais botas anda descalça pelas avenidas de luzes amarelas vermelhas egoístas que cegam o desejo da verdade e do amor que só quer exercer sua vocação mais gloriosa.

O que apareceu?

Novembro 18, 2009 por Pirla

Eu fui reparando enquanto andava pela rua…

Eu fui observando os gestos enquanto conversava e ouvia atentamente os tons que a voz expressava.

E aí, amigo, e verdade mais inconveniente, suja, mal lavada e escancarada surgiu diante dos meus olhos e pensamentos imersos em inocência:

 

Mãe – 2009

Novembro 14, 2009 por Pirla

Ontem eu parei para pensar em você. De repente os olhos se encheram de lágrimas e eu senti sua respiração. Coisas passadas, sabe? Passaram…

O fato é que eu não gosto do fato de que às vezes você parece ser uma lembrança distante. Deste fato eu não gosto. Não quero viver essa mentira suja.

E, de todos os fatos mentirosos, o pior é aquele que não me deixar sentar e escrever sobre você. E, talvez, ele nem seja tão mentiroso. E, talvez, seja porque o amor é tão grande e ofuscante.

Você sabe como eu ainda caminho com meus pés sobre os seus, com minhas mãos juntas às suas, com meus olhos vigiando sua dança… Eu ainda divido o meu ar e, quando ele me falta, eu sei que é porque eu ainda vivo as emoções desconexas, humanas, desumanas, sobre-humanas, sub-humanas, selvagens que um dia você se viu obrigada a sentir.

Eu derrubo teu pranto, eu canto o teu canto, eu chamo teu nome, eu danço sua música.

Eu amo como você.

No fim eu sinto falta da sua respiração profunda porque, afinal, é isso o que faz a diferença.

Agora, o último fato, o mais inegável de todos é que, de todas as músicas, o que eu mais queria ouvir eram as batidas do seu coração.

Pisei Torto

Novembro 14, 2009 por Pirla

Eu não sou grande coisa. Eu nada fiz de memorável e eu nunca fiz a diferença. Eu fui abandonada e abandonei, mas nunca fui “a” pessoa, sabe? Aquela pessoa que faz seu coração perder o rumo… Esta não sou eu, não fui eu.

Eu nada fiz de grandioso. O máximo que eu chego é numa estante de troféus de plástico dourados empoeirados.

Eu nunca salvei uma vida, eu nunca doei sangue e eu não percebi que poderia fazê-lo quando deveria.

Eu deixei de falar “eu te amo” quando deveria ter falado e falei quando, definitivamente, não deveria. Eu me calo quando devo falar e falo quando devo calar. Não tenho talento para o que eu escolhi e eliminei minhas inspirações.

Eu andei errado, tropecei, caí. Escolhi o caminho errado, segui pela estrada torta, entrei no túnel escuro, peguei o atalho. Pisei torto.

Eu não olhei nos olhos, eu não falei as palavras e travei nos gestos. Eu esfriei.

A vida era uma bagunça. Nada funcionava…

Eu não soube agir, eu parei, eu desisti, eu me cansei. Eu chorei, eu ri torto, eu gritei, exagerei. Eu não pensei, eu me joguei, eu amei.

Tudo era uma bagunça e nada funcionava… Era estranha, mas era a vida que eu levava…