por Minuto

fevereiro 10, 2010 por endtitles

Se jogar na pista, comprar revista, ingerir bebida, alcóolica, eletrônica, de moda, na moda, sem moda. Entregar-se ao som, encontrar-se ao tom de tantas cores, luzes, flashes, passagens. Sentar-se ao lado, colado, sentado no chão ao léu de outrora passos agora ventania. Sentir-se só, acompanhado, sem nada ao lado, seguro, de si, sem si, nem lá. Ouvir sem sentir, entregar sem dar, jogar-se sem cair. Porquerassim que era, porquelainda elainda amava a vida como ela é. Por vezes, por minuto, sem hora, sem troco, sem nada em troca. Só enquanto a valsa toca, valsa, valsinha, valsaminha. Amada e calada, sentada e sentida, poema de tantos outros carnaváis, rotina. Rodando, como, um, mundo, de, possibilidades. Feliz.

Memórias

janeiro 29, 2010 por Marcella

“Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.”

Gabriel García Márquez

Braços

janeiro 26, 2010 por Pirla

É um amor de braços ansiosos que bate à porta. Ele envolve, aperta e comprime brutalmente os corpos nos gestos mais delicados.

Ele mente para mim e para ele. Ele é urgente e tem em si a angústia da pressa e do esquecimento.

Ele é pura dor, ele é o amor em todos seus sentidos. Ele é a dor.

O amor me envolve com seus braços ansiosos. E eles deixam escapar de mim seus pedaços. Eles estão grudados… angustiados.

Ansiosos, temorosos… passionais são os braços do amor. Ele pára no tempo e permanece na escuridão.

360º

janeiro 21, 2010 por Pirla

Esta noite eu gargalhei com uma lembrança.

A vida deu sua volta novamente.

Outside

janeiro 20, 2010 por Marcella

Why you want to be so small,
when the entire world tries to sing a love song for you?
How difficult to you is live a life without these walls?
I know that all the time you think about outside.

Meiões e sapatilhas

janeiro 11, 2010 por Pirla

De meiões brancos e sapatilhas as meninas partiam para a escola. Desciam e subiam barrancadas enlamaçadas lutando pelo branco das vestimentas inocentes e travessas.

Buracos no chão, gravetos espalhados, insetos mortos e uma porção de risos se espalhavam pelos portões que exalavam o perfume amadeirado do passado.

As meninas trocaram os vestidos pelas pantalonas e os insetos mortos por rapazes fortes e robustos. Tudo era paz. Tudo era o amor.

Véus e grinaldas pintavam as cenas de uns anos chamados 80. Bebês à bordo, festas de aniversário, línguas de sogra e bexigas gigantes.

Todos queriam é dançar lambada.

As meninas/mulheres agora tinham seu menino e suas meninas. Suas vidas andavam pelas barrancadas enlamaçadas de problemas.

Contas, aluguéis, gasolinas, escolas, exames e hospitais.

De tanto andar por barrancadas enlamaçadas, na virada do século um das meninas parou para descansar nos arredores da primavera.

A outra continua, mas ainda tem seu coração batendo no ritmo daquelas flores.

dezembro 21, 2009 por endtitles

Eu confesso que tenho medo. Medo de enlouquecer em meio a todo esse marasmo, essa infinidade de coisas e fatos e andares, todos esses andares me chamando pro infinito. Eu só queria poder tomar conta disso tudo por alguns instantes, antes de desaparecer completamente. Era só poder te contar da lua, das estrelas, desse décimo-oitavo andar da zona sul. Era só uma brecha pra te dizer que andei pensando em tanta coisa, em você e em todas as outras coisas que estão ao meu redor. Aquelas que apareceram depois de você e antes de você, por causa de você. Confesso que não tenho medo de ter essa vontade de contar tudo isso, pra você. É tudo interessante demais, é tanta loucura, você deve ter uma pequena noção. é interessante e desinteressante ao mesmo tempo. Eu queria sentar numa cadeira e ter todo o tempo do mundo para me entregar às palavras que me rodeiam. Como aquelas pessoas que parecem desesperadas, moribundas, passando fome por se alimentar apenas do movimento incansável de percorrer os olhos pelo parágrafo acima com a imagem perfeita dos parágrafos de baixo. futuro, passado, presente. E de ter um pedaço de qualquer coisa para comer e uma taça de vinho no lugar do espaço que outrora comportava uma caneca de achocolatado. E de inventar palavras. Eu inventei uma ontem. É o molo. Hahaha. Sabe o que é um molo? pois eu te explico… sabe aquelas lanchas que deslizam no mar lá pelo meio, depois das ondas quebrando, das ondas se formando, das ondas andando? sabe aquele rastro de espuma branca, branquinha? Aquelas espumas me revelaram ser um punhado de palavras aguardando para serem colhidas. Mas não me abalei, decobri o movimento do vento trazendo todas elas ao meu alcance. Basta sentir o vento no rosto e fechar os olhos. Elas te pertencem a partir do momento que você as aceita ali naquele monte de água espumada. E, incrivelmente, elas se alojam ao seu redor, nas suas mãos, na sua caneta, gruda no papel, invade a sua mente. Acho que é por isso que eu tenho tanto medo. Eu só posso contar isso pra você se eu não te contar, entende? Só posso te contar se eu não estiver mais aqui, porque senão você não vai mais me dar ouvidos. Vai achar que eu vivo num mundo de fantasias, porque você é meu mundo de fantasias. Você mais do que ninguém sabe disso. E tem todas as outras coisas, tantos pormenores, teria receio de dizê-los assim sem mais nem menos. Eu te conto porque eu vi a lua e ela estava muito bonita. E aquela varanda, e aqueles andares, o vento, as estrelas, o telefone ali pertinho. Só falta a coragem, sempre falta a coragem de dizer que meu mundo de fantasias me esgota, me cansa. Cansa ter que controlar as ânsias quando se pensa tão racionalmente. Fantasias seriam como as palavras dos escritores… elas alimentam tão pouco e tão muito. Mas elas somem ao mínimo toque. Saciam a mente e abandonam o corpo. Pobre o corpo dos escritores. Pobre o corpo dos que fantasiam para não enlouquecer, mesmo sabendo que correm o risco de não ter mais volta. O passado apagado como escritos na areia. Como as espumas do molo. Como a lua e suas fases. Eu tenho medo e não tenho. Talvez seja apenas uma suposição. Talvez eu nem queira achar uma solução.

dezembro 19, 2009 por julianaschultz

No aconchego das particularidades, nada além da solidão me guia a extrema sabedoria do que é viver.

Me achego junto aos princípios e pesadelos ao encontrar a verdade absoluta do que é passageiro.

Pode ser dilacerado ou um tanto discreto, em mim tudo é exclusivamente um absurdo quando flutua e evapora nas sólidas conclusões do que faz bem.

Enfim

dezembro 19, 2009 por endtitles

Quando eu digo que te amo está claro e óbvio o que eu quero te dizer. Está certo de que eu acho o amor uma coisa rara e que você foi o escolhido. e que meus dias passam em branco enquanto não ouço a sua voz. que a vida pode parecer clichê e o amor mais ainda, mas não é (apesar de parecer muito). E que meus dias ao seu lado são suficientemente preenchidos de cor. mesmo que o edredon seja branco e o céu esteja escuro. e que meus pensamentos sempre apontam para ti independentemente do lugar em que eu esteja, e as conversas sempre apontam o seu nome, e as lembranças sempre lembram do seu rosto e dos seus gestos. E isso quer apenas dizer que eu não posso usar o seu nome em vão, assim como as pessoas costumam endeusar umas às outras. que meu coração bate mais forte quando te xingo e ainda mais do que mais quando penso que posso te perder. te ver é um alívio. te saber em todos os mínimos passos me dá segurança e termos algo programado me faz a pessoa ocupada mais feliz do mundo. Os passos contados em seu nome. As estrelas vistas em sua homenagem. Minhas cicatrizes esperando para serem contadas a ti. Meu sucesso, minha derrota, meus olhares, meu sorriso. É tudo seu ou para você. é tudo dito sem precisar pensar, porque já foi sentido. é sentido de vida para frente evitando a partir de agora o para trás. Todas as mensagens a serem dadas e todas as palavras, inclusive os telefonemas, são endereçadas especialmente para que você escute. E todo o mal-humor, e todas as reclamações, e os abaixo-assinado e todo os tempos difíceis vão ser todos seus. Até eles. Porque o amor preenche todos os estados de uma vida inteira. Por ser um sentimento forte, sente todos os outros nas costas como a cruz que cada um carrega para si mesmo. Cruz pesada que pode te trazer dor, mas a compensação de se ter uma vale muito mais do que o dobro. Vale todos os dias de felicidade. rirei pelo mundo enquanto estiver ao seu lado. cantarei nossas músicas e escreverei nossas vitórias. porque o amor é isso, felicidade com espírito de vencedor. nosso encontro trará todos os nossos outros dias. E isso é certo. e é real. e é verdade. tão certo como a afirmação de que um guarda-roupas serve para guardar roupas. é por isso que eu digo que te amo. e nada mais.

 

09.08.09

até quando?

 

Quantas?

novembro 30, 2009 por Marcella

Venço antigas batalhas e invento novas. Destravar um erro e criar outro é insensato demais para o meu próprio ego. Mas quem disse que eu cansei? Os dias passam. A navalha na carne permanece rasgando lentamente uma ferida que parece nunca cicatrizar.

Quando levantar da cama e sentir aquele amargo na garganta, simplesmente ignorar. O que mais há de se fazer afinal? Lavar o rosto, escovar os dentes, abrir a porta, olhar desconhecidos na multidão e sentir uma vontade imensurável de gritar “Aqui dói, dói muito, todos os dias.” Ver os olhos de cada uma delas e julgar suas vidas em um simples impulso egoísta e mesquinho.

É puro drama, coisa baixa, lamentar-se tanto, sair aos sábados e abraçar o máximo de copos e corpos possíveis em uma noite, ir às compras e gastar o salário que você demorou um mês pra conseguir em um dia. Veja bem, eu também sou baixa. Quantas vezes você já nasceu nas madrugas de São Paulo? Quantas vezes você já morreu um pouco em cada uma delas? Algo dentro de mim guia minhas pernas dez anos mais velhas. Buracos negros cravados debaixo dos olhos. É tudo causa e conseqüência. Meus sonhos ainda são dominados por inúmeros rostos que eu gostaria de esquecer, erros que eu preferiria não ter cometido e almas que eu gostaria de ter encontrado enquanto ainda era tempo.

Mas ainda dá tempo. Não deixar a mente atrofiar em meio a tantos pensamentos, não se arrepender pelo que foi e acreditar no que virá. Alguma coisa há de vir, no começo, no meio, ou no final de cada dia. Por mais imperceptível e banal que seja, sempre vem.